sexta-feira, 30 de julho de 2010

EM FAVOR DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE FERNANDO DE NORONHA


O propalado "abandono do patrimônio cultural" de Fernando de Noronha ocorreu, efetivamente, a partir de 1938, quando se deu a entrega do Arquipélago à União. Foram mais de cinquenta anos de pouquíssimas intervenções nesse acervo construído, pelos que ali detiveram o poder... Os registros em alguns Relatórios de Governo, encaminhados à Presidência da República, mencionam os monumentos restantes como "de construção obsoleta, por isso mesmo a serem deixados assim, pela difícil reconstrução." Até então, os monumentos civis e religiosos estavam bem conservados, como se constata no "Relatório sobre o Presídio de Fernando de Noronha", de 11/08/1938, apresentado pelo 1º Tenente Victorio Caneppa, quando da entrega da Ilha ao Governo Federal.

Coube novamente a Pernambuco - a partir de 1988 - a tarefa de receber e resgatar esses bens materiais, tentando fa zer retonar cada um às condições mínimas que tinha, quando todos foram entregues. Coube-lhe também desenvolver programas de Educação Ambiental e Educação Patrimonial junto aos jovens, mostrando-lhes - em documentos, iconografia e localização espacial pela Arqueologia - as características das diferentes épocas, gerando a apropriação de um conhecimento que timidamente vem se esboçando.

A criação, em 1998, do MEMORIAL NORONHENSE - Espaço Culural Américo Vespúcio, foi fundamental para essa "descoberta". Um lugar apropriado, reunindo informações, inclusive sobre o "Patrimônio Imaterial", tão importante quanto aquele edificado, aberto ao público local e aos muitos visitantes, foi fundamental para a fixação de acontecimentos, a maioria dos quais até eñtão desconhecidos do mundo... Ali, os documentos escritos identificados, os livros publicados, os registros dos tempos prisionais, os dados resgatados sobre acontecimentos do passado, foram disponibilizados em circuito museográfico simples, para a descoberta e a interpretação dos fatos ocorridos e sua influência e relações com a História do Brasil.

Aos poucos, nesses 22 anos de retomada pernambucana, ações vem sendo pensadas e executadas para minimizar as "feridas abertas" em tudo o que ainda resta. Tendo instuições sérias como parceiras, tanto a nível oficial, como privado, foram pedidos - por exemplo - o tombamento dos dois núcleos históricos remanescentes da definitiva ocupação da ilha em 1737 (Vila dos Remédios e Vila da Quixaba) e dos sistemas defensivos implantados no Arquipélago (as dez fortificações do século XVIII e as evidências das baterias da II Guerra, do século XX).

A Vila dos Remédios, pela sua importância, foi alvo de pequenas e significativas intervenções, com a pintura de suas casas e monumentos e a iluminação especial de algumas construções, melhorando seu aspecto como um todo, incluindo-se igualmente as construçoes pre-moldadas, características da ocupação militar, a partir de 1942. E outras ações caminham para acontecer, com a inclusão de Fernando de Noronha no programa "PAC das Cidades Históricas", pela primeira vez contemplando aquele espaço insular como merecedor de ser assim tratado.

Na antiga Vila da Quixaba restaurou-se a pequenina Capela de N.Sª da Conceição ou das Graças, permitindo que fosse retomada a compreensão sobre o 2º núcleo urbano da ilha, criado ainda no século XVIII. E se vem fazendo o tratamento do entorno dela, identificando os arruinamentos da antiga Vila, o antigo Alojamento para presos e aquilo que a II Guerra precisou erguer nas imediações, como parte da defesa bélica, no século XX.

Para a Fortaleza dos Remédios, único forte tombado pelo IPHAN desde 1961, dentre os dez que compunham "o maior sistema de defesa do século XVIII", foram pensadas obras emergenciais, que o mantenham sólido e apresentável, para estudo de especialistas interessados e a visitação turística constante.

Outras iniciativas estão surgindo, no afã de salvaguardar-se esse patrimônio que se fez com a mão-de-obra prisioneira, que atravessou os tempos e chegou aos dias de agora, como uma herança dos "rastros" deixados por todos aqueles que nos antecederam.

Livros e Teses sobre o Arquipélago vão sendo publicados, apresentando enfoques diferentes de um mesmo lugar, registrando o saber que se constrói a cada dia, pelas pesquisas in loco e a procura nas fontes que vão sendo disponibilizadas.

Ainda bem que isso vem se tornando possível e que os muitos recursos de registro permitem que as informações se multipliquem.... Ainda bem que Fernando de Noronha atrai, cada vez mais, um elenco de pesquisadores, em busca de explicar suas característica sócio-ambientais, seu patrimônio material e imaterial, as vantagens e conseqüências do ecoturismo praticado, entre outros aspectos. E os jovens de agora são privilegiados ao receberem - em aulas práticas e teóricas - esse saber, essas conquistas, essas verdades!

domingo, 25 de julho de 2010

HOMENAGEM AOS MAIS VELHOS, QUE JÁ SÃO AVÓS!

O tempo trás consigo o alquebrado jeito de ser,
o branquear dos cabelos, dia a dia,
o tremor nas mãos envelhecidas,
o esquecimento daquilo que se constituiu - um dia -
razão de ser feliz!

O tempo amedronta, porque significa o desconhecido;
angustia, porque não se sabe o quanto resta a cada um;
precipita a dor de estar chegando ao fim,
ou o desânimo dos que já não esperam nada
e nem se sentem capazes de continuar lutando...

Mas o tempo também soma experiências maravilhosas,
enriquece o espírito de luz e de sabedoria,
molda o caráter e desperta coragem
de distribuir os bens acumulados com outros,
como fardos doces e merecidos para quem os recebe...

O tempo ameniza cicatrizes, suavisa feridas na alma,
consola corações estremecidos,
torna-se poço de conhecimento e de trocas,
rejuvenece a fé, renova esperanças,
e partilha com a vida o que se fez bagagem imorredoura.

...................................................................................

Saudemos, no idoso de hoje,
aquele que recebeu as marcas do tempo sem sofrer por tê-las
e dividiu retalhos de entusiasmo com os que são jovens
e não sabem o caminho da busca,
pois partiram desatentos pelos caminhos...

Saudemos, no idoso de agora,
todos os homens e mulheres que deixaram que as rugas chegassem
sabendo o quanto de bom cada uma delas acrescentou
à vida, ao amor, ao ser e não ao ter,

E que Deus os abençoe a todos,
especialmente aos que já vivem a aventura de serem chamados
VOVÔ / VOVÓ!
.........................................................................................
(26 de julho - DIA DOS AVÓS)


terça-feira, 20 de julho de 2010

NO "DIA DO AMIGO"


CUIDADOS

Para que a amizade sobreviva
são precisos cuidados pequenos e singelos...

Não basta gostar: é preciso dizê-lo.
Não basta apenas
emocionar-se com o amigo de longe:
é preciso atingi-lo, expressando carinho.
Não basta julgar-se amado:
é preciso acercar-se dele
e encontrar respostas
na especial forma de atenção.

Para que a amizade exista
são necessários cuidados,
constantes, verdadeiros,
cheios de cautela e de carinho,
como se faz com a planta
quando começa a nascer..
.
(homenagem aos meus amigos, no DIA DO AMIGO)

domingo, 18 de julho de 2010

PALAVRAS DO PROFETA


"Aprende com a pedra
a lição do fogo:
sem profunda fricção
não irrompe das entranhas a luz!"

(Dom Helder Camara)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

LOUVOR À VIRGEM DO CARMO


Entre tantos títulos
como és chamada, ó Mãe,
porque me enternece tanto
chamar-te Nossa Senhora do Carmo?

Bem sei que és a mesma jovem de Nazaré,
concebida sem pecado e assim louvada...
Bem sei que tua intercessão pelos homens
valeram-te nomes lindos pelos mundo afora...
Bem sei que és a Virgem da Conceição,
a Senhora de Nazaré, a Mãe Rainha de todos nós...

Mas foi como a Senhora do Carmelo
que te elegi minha protetora.
Foi como uma mãe zelosa
que - um dia - estendeste sobre mim
o teu Escapulário bendito
e te fizeste preferida!

Mãe do Carmo, minha Mãe,
tenho certeza que,
fiel ao compromisso assumido,
quando eu era ainda criança,
jamais me abandonarás,
como creio, firmemente,
que velas igualmente por aqueles que amo
e que, um dia,
também foram consagrados a ti.

Nossa Senhora do Carmo,
para sempre minha Rainha.
Amém.


(16 de julho - Dia da Padroeira do Recife)

domingo, 11 de julho de 2010

FRANCISCO ADELINO - O PADRE DA CACIMBA EM FERNANDO DE NORONHA


Há muito tempo, em Fernando de Noronha, havia uma cacimba de água extraordinária, considerada "a melhor água da ilha", que chegou a ser reservada somente aos doentes, com castigos estabelecidos para aqueles que ousassem usá-la estando sãos. Chamada de CACIMBA DO PADRE, acabou por denominar a praia nas suas imediações, antes chamada "Praia da Quixaba", por ficar na parte baixa da Vila com esse nome, erguida no alto. E, destampada e abandonada, viria a ver sua água estragar-se, sendo hoje imprópria para o consumo.

Mas, por muito tempo, também, poucos tiveram a curiosidade de identificar quem seria esse "padre", imortalizado numa praia hoje famosíssima, pela beleza e por abrigar - a cada ano, os campeonatos internacionais de "surf".

Alguns historiadores, debruçados no passado noronhense (infelizmente não foram muitos mas, os que o fizeram, deixaram um precioso legado), falaram dessa cacimba e desse padre, como Olavo Dantas, Mário Melo e Beatriz Imbiriba. E quem chegou mais perto da correta identificação do "padre", na sua "imortalidade insular", foi mesmo o grande folclorista e historiador Luis da Câmara Cascudo. Foi ele que, na coletânea "Pesquisas e Lembranças do R.G.do Norte", publicada pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, incluiu, no volume IV (de 1989), os dados mais precisos sobre o Padre FRANCISCO ADELINO DE BRITO DANTAS, nascido em Campo Grande, no R. G. do Norte, em 1825, imortalizado em sua terra por ter sido o fundador da povoação de Conceição do Panema, mais tarde transmudada em Vila de Upanema, com capela, correio e núcleo de população densa e também eternizado em Fernando de Noronha, onde foi viver por um tempo, como capelão da Igreja de N.Sª dos Remédios e onde descobriria um veio de água doce, de muito bom sabor, escolhendo então a região para morar, tendo todas as benércias de um lugar tranqulo, uma capela próxima para orações diárias (a "Capela de Conceição da Quixaba", restaurada por ele próprio, com ajuda da mão-de-obra presidiária) e a praia bem próxima.

Padre Francisco Adelino era filho do tenente Félix José Dantas, casado com uma sobrinha, Francisca Xavier de Lira, uma família tradicional nos municípios ao redor de Campo Grande, onde vivia. Era a pessoa mais conhecida da região, pela sua força descomunal, pelas suas habilidades na montaria, pela sabedoria como professor de Latim e Francês. Ordenou-se padre em 23 de maio de 1851. Tinha fixação pela construção de capelas e casas, sendo dele a segunda restauração da Capela da Conceição da Quixaba, logo que chegou a Fernando de Noronha.

Antes disso, em 1870, viajou para o Recife, vindo ensinar na Diocese de Olinda. Verificando a dificuldade de então para se enviar padres para o Arquipélago (na época, era por "sorteio" que se indicavam os padres e essa indicação era considerada uma penitência, um castigo...), solicitou sua indicação ao Bispo Dom Frei Maria Vital de Oliveira... E mudou-se para a ilha, onde ergueu "uma grande casa de taipa", em meio aos bosques arborizados", como sua morada provisória.

Sentindo a dificuldade que teria com a água (raríssima, sempre e somente encontrada nas Cacimbas de Atalaia e da Biboca e na Fonte do Mulungu)), tanto procurou que localizou a fonte de água deliciosa. E ali construiu a "Cacimba do Padre", com 14 metros, cavados pelos presos a seu serviço, ele próprio ajudando, de pá na mão e chapelão na cabeça. Em princípio de 1888 a cacimba ficou pronta. Não foi ele que a "batizou"... Foram os moradores e presidiários que a eternizaram assim, numa "consagração expontânea" e retribuição pelo que fizera.

Anos mais tarde, gravemente doente, o Padre Francisco Adelino pediu dispensa da capelania noronhense e voltou para o Recife, para despedir-se dos amigos e partir para sua terra, Campo Grande, agora re-batizada como Vila do Triunfo onde morreu, em 18 de agosto de 1893.

Um homem extraordinário, que viveu intensamente e foi eternamente ligado a duas das ações simbólicas que desenvolveu: fundou uma povoação e descobriu uma fonte que viria a re-batizar uma região insular. E, mesmo assim, nenhum desses dois feito o tornaram merecedor de nenhuma homenagem, através dos tempos, nem na Vila de Upanema, nem em Fernando de Noronha. Pena!



quarta-feira, 7 de julho de 2010

NO RECIFE, É TEMPO DE CELEBRAR NOSSA SENHORA DO CARMO


Uma Igreja encantadora, plantada no coração da cidade do Recife, está em festa! Festa do coração do povo, festa da tradição carmelitana, festa dos 314 anos do seu início, quase ao findar-se o século XVII.

O local onde se situa a Basílica é hstórico. Ali o Príncipe Maurício de Nassau havia erguido um dos seus Palácios, doados à Ordem Carmelita em 1687, para incorporar-se à Igreja, já em construção desde 1665. Ali o herói Frei Caneca havia feito seus votos de religioso carmelita e se ordenara padre sendo, possivelmente, o local onde ele foi sepultado, após o martírio a que foi submetido.

O Padroeiro do Recife sempre foi Santo Antônio. O povo, num rasgo de amor à Mãe de Deus, clamou pela indicação de uma co-padroeira, que fosse a figura materna, pairando sobre a cidade que crescia. Demorou até que isso fosse realidade. Mas em 1909 as rogações chegaram aos que detinham poder de mando e Nossa Senhora do Carmo foi considerada a "Padroeira menos principal do Recife", dividindo com Santo Antônio a tutela e proteção.

Num rasgo de alegria e generosidade, esse mesmo povo se uniu, cotizou-se, ofereceu bens e conseguiu que uma coroa de excepcional valor, em ouro, fosse feita, para a solene coroação da Virgem, em 21 de setembro de 1919.

Depois, o tempo foi passando e, sem que se saiba as razões, a presença materna de Maria entre os recifenses ofuscou a devoção ao primeiro (e principal) Padroeiro, fazendo com que Santo Antônio fosse alvo de outras devoções - inclusive populares - mas o carinho e a procura se desse para a "Flor do Carmelo", até hoje venerada com "satus" de "Padroeira principal", sendo o seu dia feriado municipal, no Recife.

Chegamos, pois, aos dias da devoçao carmelita acontecer, neste julho de 2010, com a harmonia das vozes do Coral do Carmo do Recife, o brilho das muitas flores que se espalham pelos altares suntuosos, com volutas floreadas e o brasão da Ordem em destaque.

"Maria - Mãe e Modelo da Igreja em Missão", é o tema deste ano, para a festa que durará dez dias, somando-se o novenário (de 06 a 14/ 07), o "Dia das Vésperas solenes" (dia 15/07) e o dia 16, das muitas Missas celebradas, da Procissão pelas ruas do Recife, pela Missa campal solene, presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido e das vozes de artistas populares que se incorporam, para cantar em louvor à Virgem, ao findarem-se as solenes liturgias.
"Senhora do Carmo / Mãe dos Carmelitas,
Protegei as almas / Que vivem aflitas!
Senhora do Carmo, Virgem Maria
Vinde em meu meu socorro / Na última agonia..."

É esse o canto das "Jaculatórias" que se repentem ano a ano. Que a Mãe do Carmelo e nossa Mãe nos proteja a todos! Amém!

sábado, 3 de julho de 2010

PALAVRAS DO PROFETA

PAUSA PARA UMA PRECE

Pai Celeste!
Como as flores nos falam do Vosso poder e de Vossa bondade!...
Vivem tão pouco, mas realizam o Vosso sonho de beleza
e transmitem, em perfume, Vossa mensagem de amor!
Como temos que aprender com as flores!
Elas aceitam a humilhação de serem postas à venda e serem vendidas.
Elas aceitam a vida breve, brevíssima,
mas aproveitam ao Máximo o tempo de vida de de Vós receberam...
Fazei-nos entender que o importante não é viver muito ou viver pouco
- é viver bem!
É realizar, em plenitude, os Vossos planos de amor!
Aceitai nossa matrícula na escola das flores!...

(Dom Helder Camara, em 11/02/1977)

terça-feira, 29 de junho de 2010

HOJE É DIA DE SÃO PEDRO



Hoje é DIA DE SÃO PEDRO, um pescador simplório, convocado pelo Cristo para segui-Lo como apóstolo, algumas vezes vacilante na sua fé, mas capaz de refazer o caminho que leva ao arrependimento e, por essa coragem, eleito como o primeiro chefe daquele grupo / primeiro Papa de uma igreja nascente.

Chamava-se Simão. Suas posições diante do Mestre fizeram com que o próprio Filho de Deus mudasse-lhe o nome para Pedro, a "pedra" (em aramaico: "Kephas", que significa pedra e Pedro). As palavras ditas foram contundentes: "Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos Céus: tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16, 18-19). E ele aceitou a missão, sendo o pastor das ovelhas do Senhor, martirizado por amor a Ele entre os anos 64 e 67 d.C.

Em seu louvor ergueram-se igrejas pelo mundo afora... Em Olinda não seria diferente. Uma Igreja e uma Bica homenageiam esse valoroso Apóstolo e Mártir, no coração dos sítios históricos.

Há, no entanto, em Olinda uma igreja também dedicada a um certo "Pedro Mártir", que foi primeiro uma capela e, depois, a Igreja de São Pedro Mártir, que não é dedicada ao apóstolo de que falamos, cuja festa acontece no dia de hoje. Esse é o religioso Dominicano, São Pedro Gonçalves ou São Pedro Mártir, contemporâneo de Santo Antônio, muito cultuado no mundo e que mereceu ser o titular da igreja erguida antes de 1590, num platõ próximo à Ribeira, em cuja construção foi utilizada a mão-de-obra indígena e que viria a se tornar a 2ª Paróquia de Olinda, sendo a 1ª a do Salvador do Mundo, na Igreja da Sé. A região era uma "sesmaria", mencionada no livro de Tombo do Mosteiro de São Bento.

O abandono dos homens fez com que esse templo fosse se deteriorando e completamente destruído no começo do século XX, por ordem do Arcebispo Dom Aloisio Raimundo da Silva Brito. Seus bens móveis foram partilhados com diversas outras igrejas do Olinda e do Recife (conforme inventário publicado em "Olinda e suas Igrejas", de Frei Bonifácio Müller, em 1945). E a Paróquia nela existente foi transferida para a a Igreja de São Pedro Apóstolo (chamada pelo povo de "São Pedro Novo").

A Igreja de São Pedro Apóstolo, que existe até os nossos dias, é, sim, aquela que reverencia o seguidor de Cristo, o primeiro Papa da Igreja. Sua construção, no bairro do Carmo, foi posterior à Restauração Pernambucana, inaugurada em 1752. Contudo, a instalação da sua Irmandade em Olinda é anterior à construção da Igreja, datando de 1711. Sua fachada é composta por uma porta que é alcançada por uma escadaria. Existem duas janelas, na parte superior, ladeando um brasão simbolizando São Pedro. Possui torre única, um interior muito simples e, na nave única, estão dois altares laterais com nicho e imagens de Nossa Senhora da Conceição e o Cristo Crucificado. No nicho do altar-mor está a imagem do Cristo, ladeado por dois altares onde estão, em cada um deles, São Pedro e São Paulo.

A outra homenagem ao santo de hoje está na Bica de São Pedro, a única bica de Olinda que até hoje possui água corrente e que se constitui uma atração a mais na cidade.

Saudemos São Pedro, o apóstolo de Cristo, o 1º Papa da Igreja, presente nos bens culturais que significam veneração!

sábado, 26 de junho de 2010

SÃO JOÃO - UM TEMPO PARA DESCOBERTAS...


A proposta era modesta: reunir a família em algum lugar simples, longe do borburinho da "cidade grande", experimentando os sabores da gastronomia junina, e apreciando a ingenuidade das brincadeiras, ao som de sons tradicionais do cancioneiro desse período de lirismo e beleza...

E a opção deste 2010 foi Carpina, na zona da Mata, em Pernambuco, abrigados todos numa tranquila casa de religiosas - o Juvenato Maria Auxiliadora - agora transformado em Pousada e casa de referência para treinamentos. Simples e acolhedora hospedagem, com comida caseira e umas poucas regalias de conforto e qualidade.

E haja brincadeiras ao redor da fogueira que queimou, noite a dentro... E haja a necessidade de tapar os ouvidos para as bombas que estouravam e iluminavam o céu, enfeitado também pela lua quase perfeita que emoldurava o cenário escolhido...

Crianças e idosos dançaram com alegria. Gulosos, comeram talvez além da conta. Combinaram-se passeios na manhã do "dia do santo", o querido São João, aquele do qual se celebra a data do nascimento e não da morte, por ter sido ele agraciado antes de nascer, no encontro entre sua mãe e a Virgem Maria.

No fim da noite, ainda se pode descobrir a participaçao do povo nas atrações trazidas aos palcos múltiplos, no Largo de Eventos da cidade. Ao amanhecer, foi a vez de rever (para alguns) e conhecer (para outros) a vizinha Tracunhaém, onde o barro vira arte e dignifica a pacata cidade, tornando-a conhecida pelo talento dos filhos-artistas que gerou.

E como coroamento, a torcida de todos pela seleção brasileira, em clima de Copa e de rivalidade entre Brasil e Portugal, momento de união de todos os que, naquele momento, optaram por estarem ali, deliciando-se com os mimos gastronômicos oferecidos e ansiedade nos 90 minutos de angustiante espera...

Valeu, sim, a escolha! Valeu ver as crianças, recebendo - para carregarem ao futuro - costumes que lhes foram mostrados!

E viva São João, é claro, porque ele é a razão disso tudo acontecer!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

HÁ UM PADRE-RESIDENTE EM FERNANDO DE NORONHA... ALELUIA!


A comunidade católica de Fernando de Noronha vive hoje o especial momento de contar, dentro os "residentes" na ilha, com um padre, depois de mais de 50 anos sem que isso fosse uma realidade. Não que os ilhéus estivessem completamente desassistidos de apoio religioso: isso, não! Mas as idas e vindas de sacerdotes eram constantes, na falta de alguém que se disponibilizasse para morar ali, interagindo com a comunidade e com as muitas denominações cristãs hoje existentes...

No período do Território Federal, eram os capelães militares que cumpriam essa tarefa. Padres-capelães do Exército e, depois, da Aeronáutica, prestavam assistência aos fiéis, sobretudo realizando as celebrações especiais ao longo do ano, como a "Festa da Padroeira", em agosto; a "Festa de São Pedro", com Procissão Marítima, em junho; a "Primeira Eucaristia" das crianças, no final do ano; as celebrações do tempo do Natal, etc, etc, etc...

Com a reintegração do Arquipélago a Pernambuco, em 1988, a tarefa de enviar padres voltou a ser exercida pela Arquidiocese de Olinda e Recife, à qual foi a ilha ligada ainda no século XVIII. Não havendo nenhum presbítero que quisesse residir por lá, foi mantido o envio esporádico de pastores católicos e, de vez em quando, algum desses assumia a função de "Delegado Eclesiástico" noronhense, velando pela orientação dos católicos, indo e vindo sempre, os designando companheiros de sacerdócio para isso.

Nos últmos anos,essa terefa tinha sido dada ao Arcebispo Emérito de Olinda e Recife, Dom Edvaldo Amaral que, além de prestar serviços como dirigente, empenhou-se em captar recursos do exterior (Adveniat, da Alemanha) que permitissem restaurar-se uma ruína, para ter a ilha uma nova "Casa Paroquial", uma vez que a primitiva casa erguida para esse isso passou a ser usada para outros fins, desde o século XIX.

Essa iniciativa do zeloso Arcebispo garante agora um local definitivo para o padre-residente que chega, Glenio Guimarães Braga Costa, proveniente da Diocese da Paraíba, empossado solenemente no dia 18 de junho passado, pelo Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, osb. A cerimônia oficial se deu na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, principal templo católico da ilha, tombada pelo IPHAN em 1981.

Padre Glenio é teólogo, filósifo e dentista. Atuou por 17 anos na Arquidiocese da Paraíba e foi ele próprio que solicitou sua trasnferência para trabalhar em Fernando de Noronha, pertencente à Arquidiocese de Olinda e Recife/ Pernambuco. Os entendimentos entre os dois Arcebispos (de Olinda e Recife e da Paraíba) consolidaram o desejo do padre de cumprir uma missão na ilha, para o qual ele se sentia chamado.

Que Deus o ajude a ser o padre-residente que todos esperavam!


domingo, 20 de junho de 2010

AINDA A COPA DO MUNDO EM FERNANDO DE NORONHA

Em artigo anterior, registrei aqui as duras tentativas de fazer-se com que os que viviam em Fernando de Noronha, em 1974, pudessem assistir os jogos da Copa do Mundo. Baseada na narrativa de um dos protagonistas, o Cap. Segundo Ebling, descrevi a loucura que foi a subida ao Morro do Pico e, depois, ao Morro do Francês, para arriscar formas de recepção daqueles momentos tão especiais.
No rastro dessa narrativa, recebo uma outra valiosa contribuição, dessa vez feita por uma então jovem moradora da Ilha, a respeito de uma tentativa semelhante, na Copa do Mundo de 1970.
Era governador do então Território Federal o Cel. Jayne Augusto da Costa e Silva. Por iniciativa da RADIOBRÁS - que começava a tentar comunicar o Arquipélago com o mundo lá fora - uma antena foi colocada no Morro do Francês, para que os jogos do Brasil pudessem ser asssitidos, com imagens geradas de Guadalajara, no México, onde os brasileiros jogariam e esses jogos fossem assistidos pela população civil e militar ali residente.
Quase todos os moradores subiram aquele morro de 195m de altura, em cada jogo, colocando-se ali do jeito que lhes fosse possível, diante da "telinha" em preto-e-branco, cantando a célebre canção "90 milhões em ação, pra frente, Brasil, do meu coração..." O aparelho usado era da marca ABC, que tinha como slogam "A voz de ouro ABC". As aspas da antena tinham sido revestidas de palha-de-aço (Bom Bril), como uma forma de ajuda... E nada aconteceu. Só barulho, barulho, barulho... Muitos rádios foram ligados para que fosse possível, pelo menos, ouvirem-se as transmissões dos jogos.
E, de tentativa em tentativa, todos vibraram quando conseguiram "ouvir" e "ver", mesmo com todos os defeitos da transmissão, um único gol em toda a Copa, marcado por Jairzinho, no jogo Brasil X Inglaterra!
Nas reminiscências de Marilde Costa está o desabafo orgulhoso de uma brasileira, distante do continente, ávida por ver Pelé, Rivelino, Jarizinho, Tostão e tantos outros, que formavam o que ela chama até hoje de "A SELEÇÃO", considerando inesquecível o momento de ver a primeira imagem de televisão em sua vida!
São pedaços de um passado que hoje nos parecem tão distantes...
(Texto baseado na narrativa de Marilde Martins da Costa,
hoje Conselheira Distrital de Fernando de Noronha)

terça-feira, 15 de junho de 2010

FERNANDO DE NORONHA E A COPA DO MUNDO


O Brasil começa hoje a viver, mais uma vez. o clima de COPA DO MUNDO, todos ligados nos acontecimentos na África do Sul e podendo contar - nesse mundo globalizado - com os avanços tecnológicos que garantem um envolvimento cada vez maior dos torcedores brasileiros, através ds meios de comunicação social.

Certamente, na esperada estréia do Brasil na Copa de 2010, nessa terça-feira, em quase todos os longínquos recantos de um país continental, como o nosso, olhos ansiosos acompanharão a seleção diante da Coréia do Norte, pelo "quase" milagre das transmissões televisivas, radiofônicas e outras mais, diretas, descomplicadas, nítidas, permitindo que a emoção aflore e o grito de gol ecoe pelas terras brasileiras, de todos os cantos...

Mas, nem sempre foi assim. Num passado não tão distante, os que viviam em Fernando de Noronha sofriam um isolamento terrível, que não se limitava a saberem-se ilhados no oceano, a mais de 300Km do continente. Eram brasileiros também, queriam torcer também, mas nada ou muito pouco lhes chegava, em termos de Comunicação.

Naquele distante 1974, próximo à Copa do Mundo, esperançosos, muitos imaginavam ocupar o lugar mais alto do Arquipélago - o Morro do Pico, com 323m de altura - instalando lá uma antena que pudesse captar as imagens dos jogos. O monumento natural parecia ser o lugar ideal para isso. E a "caravana dos decididos" fez a escalada pelos caminhos abertos na rocha e pelos 13 lances de escadas fincadas em seu flanco, até atingir o alto, cada um carregando nas costas o material julgado necessário, para cumprir o intento.

A subida foi dura e arriscada. Saíram às 14h. Chegaram lá em cima, percebendo logo a dificuldade primeira que era o espaço total onde poderiam ficar, pela existência de um farol rotativo de bom tamanho e por serem três pessoas, para executarem o trabalho.

A antena foi montada. Quantos riscos enfrentados... Numa praça de diâmetro reduzido, os três aventureiros viveram o receio de desabarem no abismo. O vento fortíssimo trabalhava contra. A noite caía. O aparelho de TV, levado às costas, foi ligado... As tentativas de sintonizarem os canais do Recife e de Natal foram intrutíferas... E eles tentaram, tentaram, tentaram...

Lá de baixo vinham sinais de luz, de lanternas ou de faróis de carros, lembrando-os das dificuldades da descida no escuro. Até que o sonho de assistir à Copa se esvaísse e a volta ao chão começasse, quando já passava das 22h... Só chegaram ao solo pela madrugada. Foram recebidos como heróis, apesar do fracasso da tentativa. Tinha valido muito como experiência de coragem e determinação do Capitão Segundo Ebling, do Capitão-Paraquedista Carvalho e do Soldado Herculano de Freitas, este considerado "pau=pra-toda-obra" por todos. Mas assistir a Copa, ainda não daquela vez!

Dias depois, esses mesmos corajosos militares conseguiram instalar uma antena rômbica no Morro do Francês (com 195m), obtendo uma imagem péssima mas que permitiu aos residentes - ilhéus e militares do Território Federal então existente - sentirem-se privilegiados por estarem unidos ao resto do País, torcendo como qualquer outro brasileiro, ainda que, muitas vezes, o que viam se assemelhasse mais a "fantasmas" do que ao que hoje conhecemos como imagens de TV

E pensar que, nos dias atuais, isso é tão fácil!!!!

(aventura narrada por um dos protagonistas, o Capital Segundo Ebling, em carta, e publicada como um "caso pitoresco" no meu livro "Fernando de Noronha - Lendas e Fatos Pitorescos", Editora Inojosa, Recife).

domingo, 13 de junho de 2010

SANTO ANTÔNIO - UM SANTO DO POV0


Chamava-se Fernando de Bulhões. Nasceu em Lisboa, em 1195, numa família rica. Entrou para o Convento dos Agostianinos aos 15 anos. Ordenou-se padre em Coimbra. Em 1220 ingressou na Ordem Franciscana Menor, abraçando a pobreza. Trocou seu nome para Antônio. Foi missionário no Marrocos e, doente, foi mandado para a Itália, onde lecionou Teologia em várias Universidades, indicado pelo próprio São Francisco de Assis, que o admirava muito. Era um orador sacro prodigioso, de forte apelo popular. Fazia milagres espantosos. Possuía o dom da "bi-locação" (estar em dois lugares ao mesmo tempo). Sua fama de santidade era muito grande.

Com saúde precária, recolheu-se ao Convento Franciscano de Arcélia, localidade próxima a Pádua, na Itália, onde viria a morrer, em 13 de junho de 1231, com apenas 36 anos. Foi canonizado 11 meses após a sua morte, pelo Papa Gregório IX, em 13 de maio de 1232.

Foi reconhecido como "Doutor da Igreja", pela sua sabedoria. Sua veneração espalhou-se pelo mundo, principalmente em Portugal e no Brasil, como herança da colonização portuguesa. É considerado o "padroeiro dos pobres e dos casamenteiros" e invocado também para "encontrar objetos perdidos". Sobre seu túmulo, em Pádua, foi construída a basílica a ele dedicada, que guarda, como um tesouro especial, sua língua incorruptível, com a qual tanto pregou em vida.

O encantamento do povo simples por Santo Antônio é comovente! Não é o "Doutor da Igreja" que veneram... É o "Antonino" (uma forma tão carinhosa de chamá-lo em nosso idioma); é o "santo casamenteiro" que ajuda moças desencantadas a encontrar o seu par; é o protetor dos pobres, que dava aos famintos o pão do convento em que vivia e que, por isso, fez nascer o costume da distribuição do "pão de Santo Antônio" em cada 13 de junho.

É ele o santo invocado nas "simpatias" feitas em seu nome, nas festas juninas, nascidas do imaginário da gente simples e que fazem parte das superstiçoes características do povo brasileiro, quase uma "brincadeira", nascida da necessidade de ter-se fórmula para tudo, até para buscar o impossível.

O que justificaria uma pessoa "enterrar uma faca, à meia-noite, numa bananeira", na esperança de que o líquido que escorresse da planta viesse a formar a letra do nome do futuro companheiro? Os escrever os nomes dos pretendentes a marido em vários papéis, sendo um deles deixado em branco (para o caso de ficar a jovem vitalina) e colocá-los à meia-noite do dia 12 de junho em um prato com água, deixando-o por toda a madrugada no "sereno", para encontrar, no dia seguinte (dia de Santo Antônio) um dos papíes abertos, indicando qual seria o escolhido?

Como entender que, cheio de fé e de esperança, uma moça adquira uma imagem do santo, faça a ele o pedido de arranjar marido e, para "comprometê-lo", roube-lhe o Menino Jesus, dizendo que só o devolve quando conseguir namorado? Ou ainda virar o santo "de cabeça para baixo", até o pedido ser atendido? E "amarrar uma aliança num fio e segurá-la sobre um copo com água", para saber quantos anos faltam para se casar, perguntando isso ao santo à meia-noite, na véspera do seu dia, crendo que o número das batidas da aliança no copo seria essa resposta?

São costumes repetidos ao longo dos tempos. São rituais, simpatias, que fazem a delícia da crendice popular, sabendo-se que, nesses casos, o que importa não é o que se faz mas a fé de cada um, naquilo que almeça. É o patrimônio imaterial que se continua...

Santo Antônio é representado sempre com seu hábito de frade franciscano, com símbolos especiais, que sinalizam sua fé e sua vida. Há uma Bíblia na sua mão esquerda simbolizando sua fé nos Evangelhos) e, sobre ela, está o Menino Jesus. Na mão direita ele sustenta a Cruz e um Lírio (símbolo da sua pureza).

O jeito é relembrar, nesse 13 de junho, o querido santinho português/ italiano, repetindo os versos antigos, com os quais sua glória foi sempre lembrada: "Glorioso Santo Antônio, grande amigo do Senhor/ escutai nosso pedido/ sede nosso intercessor!" Ou as palavras do"Responsório de Santo Antônio": "Se milagres tu procuras pede logo a Santo Antônio/ fogem dele as desventuras, o erro, os males e o demônio..."


sábado, 12 de junho de 2010

SANTO ANTONIO - O SANTO MAIS POPULAR DO BRASL

O SANTO

Chamavam-no "Fernando".
Era belo, rico, meigo e bom.
O mundo não o seduzia...
Sonhava com a paz dos claustros, com o infinito,
com a doação integral de sua vida de homem.

Chamaram-no "Fernando".
Lisboa o viu crescer em sabedoria,
sentindo nele o apelo maior
que haveria de afastá-lo
dos apegos terrenos
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Chamaram-no "Antônio".
Quedaram-se todos ante sua extraordinária voz;
amaram-no na singeleza do que fazia
e na luminosa verdade dos seus olhos de frade,
espalhando o bem que não se acaba.

Chamaram-no "o santo".
Outras cidades o viram passar.
Multidões foram por ele atraídas.
Pádua o viu florescer e eternizar-se,
guardando seu corpo como se seu filho fora.
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Chamam-no, até hoje, "de Lisboa", "de Pádua",
o Antonino da herança portuguesa,
o santo tão querido de tantos italianos,
aquele que o mundo todo venera e ama
como um filho sem pátria exclusiva,
mas pertencente à humanidade toda!
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(Publicado no meu livro "Cantando o amor o ano inteiro" - Paulinas, 1986)